carta na garrafa
Na fila do pão
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Na fila do pão

29 de março de 2026
5 min de leitura

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alein até aqui

Meu nome é Alan. Na data de inauguração desse blog eu tinha 38 anos, há dois meses dos 39.

Sou cisgênero e possivelmente meus pronomes são ele/dele, mas eu realmente não me importo com isso, me chame como quiser.

Me apresento heterossexual porque é mais fácil explicar dessa forma.

Meus pais são brancos, meu avô materono era preto e eu nasci pardo. Pelas coisas que passei convivendo com brancos, me auto declaro pardo.

Fui diagnosticado com TDAH em 2003, depois em 2009 e novamente em 2019, mas nunca obtive o tal laudo, nunca pedi também. Tomei ansiolíticos, tomei Ritalina, parei de tomar e hoje eu lido racionalizando meus transtornos, às vezes fumando, às vezes bebendo. Sim, o transtorno atrapalhou e atrapalha muito a minha vida, eu tenho um terrível problema com concentração e foco. Busquem ajuda.

Eu sou ateu e cético, ou seja, rejeito a existência de tudo que as pessoas acham legal e/ou necessário fingir que existe. Sendo, claro, um tópico muito chato de se trazer em conversas, já que é basicamente um quebra-clima cheio de empáfia, guardo pra mim. Isso não mudou o fato de que fui criado num lar católico e tive cumprir todos os tais sacramentos, exceto casamento na igreja. E isso também não me faz desprezar espiritualidade, um exercício psicológico coletivo legítimo e benéfico pra sociedade, ainda que maus atores abusem disso.

Deixa ver, na minha vida… Sou o mais velho de 3 irmãos e descendendo de uma família de origem bem ruraloide. Pessoal tinha uma fidelidade eleitral pelo Aécio Neves, então vamos basear a ideia geral ao redor desse fato pra dispensar mais detalhes. Meus irmãos cresceram bem da cabeça, apesar dos pesares, amo muito ambos.

Até hoje só conheci 5 estados do Brasil e apesar de grande interesse em política internacional, eu nunca viajei para o exterior. Nem pro Paraguai, nem pra Bolívia. Inclusive, quero ir ver Machu Picchu. Vai passando o tempo e vai ficando mais difícil e burocrático. E a passagem de São Thomé das Letras é uma fraude.

Tive uma infância e adolescência bastante musicias, minha mãe gostava de rock e eu herdei o lado. Já hoje, tento estudar música e conheci muitos outros estilos. Atualmente estou hiperfocado em soul, disco/hiphop, blues e jazz. Mas quando era mais jovem, gostava muito de puck rock.

Odeio o conceito de autoridade de toda a espécie e me dou muito mal toda vez que tenho que me subordinar a hierarquias. Por acreditar em uma filosofia de vida de normalização da retribuição, também odeio exercer autoridade.

Meu sonho de criança era ser um biólogo florestal e morar num parque nacional em uma montanha. Me tornei pai aos 21 anos e um menino do TI pobre no sul das Minas Gerais.

Como todo otário de carne e osso, eu fiz uma boa dose de cagadas durante a minha juventude, fizeram outras comigo, algumas talvez me assombrarão até a morte, mas acredito que me tornei um adulto um pouco melhor.

Enquanto motorista, prefiro bicicletas e motos.

Concluí bacharelado em uma unibunda irrelevante enquanto trabalhava, pós em outra e sigo pinçando especializações pra tapear a gula da indústria.

Já trabalhei:

  • lavando impressoras matriciais num tanque de água gelada no inverno.
  • me arrastando em forros de telhados de casas para passar cabeamento de internet a rádio.
  • transportando computadores desktop de roupa social numa Caloi Barraforte de 20kg.
  • trancado numa sala de 3m² sem janelas, numa temperatura de 18°C das 7 às 17.

Atualmente trabalho remotamente como programador fullstack pleno em uma boa empresa sediada em outro estado. Vivo com medo de perder esse emprego. É um bom emprego. Não paga um alto salário mas é o suficiente pro meu custo de vida e eu tenho sossego.

Meus amigos mais íntimos estão a quilômetros de distância de mim, hoje, e meu núcleo familiar original, que já não era muito entusiasta da minha presença ou existência, mantém o convívio a conta-gotas. Na minha filosofia da normalização da retribuição, ofereço a mesma distância. Pra algumas pessoas isso pode parecer algo triste, conforme feedbacks não solicitados que já recebi, mas pra mim é libertador.

Apesar de cercado de família e pessoas que até me querem bem, fazem décadas que me sinto irremediavelmente sozinho. Não é um coitadismo, apenas uma constatação de fato porque existem implicações nisso. A liberdade tem preço, eu me disponho a pagá-lo.

Já cheguei muito, muito perto da morte uma dúzia de vezes. Nenhuma delas intencional. Não sei até quando vou seguir tendo sorte.

alein amanhã

Ainda tenho sonhos e um deles é não precisar mais de empregos, apenas trabalhar.

Minha trajetória me conduziu a ter um espírito trabalhista.

Me vejo, e a outros trabalhadores, como as verdadeiras engrenagens da nossa sociedade e economia. Aqueles que dominam o labor são aqueles que fazem as coisas acontecerem. Sem surpresa alguma, isso também determinou minha visão política. Me considero ideologicamente flexível, mas acho que dado nosso real espectro político de luta de classes, eu já achei o meu lado.

Também na data de inauguração deste blog, eu me encontrava no início de uma jornada com a qual eu sonhava há muito tempo. Sonhava mesmo, porque não tinha a menor ideia se iria se tornar realidade. Sempre foi um papo distante, uma conversa de outro mundo.

Eu estou finalmente dando entrada no financiamento da minha casa própria. Nenhuma mansão, muito pelo contrário, mas estou dando adeus à conta que mais odeio pagar, o aluguel. E antes dos 40! Me considero adiantado nos meus planos, até mais do que eu achava que estaria.

Não somente um alivio no orçamento, é também a construção de um patrimônio para minha filha Amelie e minha esposa Bianca. Essas são as duas pessoas que, sem saber nem notar, esticaram as mãos dentro de um baita fosso fundo no qual eu me encontrava e me tiraram de lá. Essas duas pessoas resgataram dentro de mim a vontade de seguir vivendo e de ser melhor. Eu devo minha vida a elas e é pra elas que dedico todos os meus esforços.

Se elas estão felizes, eu também vou estar. E pro meu futuro é o que eu espero, estar feliz.